segunda-feira, 20 de julho de 2026

Espanha 1x0 Argentina: dez momentos do bicampeonato na Copa de 2026

Espanha 1x0 Argentina: dez momentos do bicampeonato na Copa de 2026

Toda Copa do Mundo termina deixando uma imagem que atravessa gerações. Em 2026, ela ficou com a Espanha erguendo a taça após uma campanha praticamente irretocável. A vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, na prorrogação, premiou a seleção que apresentou o futebol mais consistente, coletivo e dominante do torneio, coroando uma trajetória construída muito antes da grande decisão.

Depois de um Mundial repleto de favoritos pelo caminho, decisões dramáticas e atuações marcantes, a final colocou frente a frente duas escolas distintas do futebol. De um lado, a organização coletiva espanhola; do outro, a experiência argentina liderada por Messi. Ao fim de 120 minutos, prevaleceu o modelo de jogo que mais convenceu ao longo de toda a competição.

Na análise de Kleber Leal, jornalista e colaborador do Blog Ponto da Notícia, a conquista espanhola é colocada em perspectiva com toda a campanha da Copa. O colunista aponta os fatores que levaram a Fúria ao bicampeonato e os episódios que marcaram a decisão contra os hernanos. A seguir, confira os 10 momentos que encerram nossa série especial da Copa de 2026.

Analise Espanha 1x0 Argentina

⚽ 1. Bi merecido

Não só pela campanha ao longo da competição, mas, pelo amasso nesta partida final contra a Argentina, a Espanha é merecidamente bicampeã mundial. O futebol coletivo praticado pelos espanhóis nesta Copa do Mundo foi contemplado com uma campanha extraordinária desse time que também é campeão da Europa. Venceu a Copa sem ser derrotado, levando apenas um gol, sem contar que completou no geral 37 jogos de invencibilidade.

⚽ 2. Uma campanha para entrar na história

A campanha da Espanha não deixa dúvida alguma de quem foi melhor nesta Copa. Foram oito jogos (sete triunfos e um empate)

Fase de grupos

Espanha 0 x 0 Cabo Verde – empate surpreendente na estreia.
Espanha 4 x 0 Arábia Saudita – goleada convincente.
Espanha 1 x 0 Uruguai – vitória segura que garantiu liderança do grupo.

Mata-mata

16 avos de final: Espanha 3 x 0 Áustria – atuação dominante.
Oitavas de final: Espanha 1 x 0 Portugal – vitória no clássico ibérico.
Quartas de final: Espanha 2 x 1 Bélgica – jogo equilibrado, único gol sofrido na campanha.
Semifinal: Espanha 2 x 0 França – vitória sólida contra um dos favoritos.
Final: Espanha 1 x 0 Argentina – amassou a Argentina.

⚽ 3. O melhor futebol também levantou a taça

Numa Copa do Mundo, muitas vezes quem chega ao título nem sempre é quem praticou o melhor futebol. A Hungria em 1954, Holanda em 1974 e Brasil em 1982 jogaram mais que suas concorrentes, mas não chegaram ao título. Desta vez, não. A Espanha foi melhor durante toda a Copa e levantou o caneco. O bom futebol agradece.

⚽ 4. O debate sobre o Craque da Copa

Outra peculiaridade comum em Copas é que nem sempre o jogador escolhido “Craque da Copa” é realmente quem foi o melhor (vide Oliver Kahn em 2002, que falhou na final). Rodri, da Espanha, que foi escolhido o melhor nesta edição de 2026, jogou muita bola, porém Messi, que carregou a Argentina nas costas, foi superior e, sem dúvida alguma, merecia esse prêmio.

Espanha 1x0 Argentina: dez momentos do bicampeonato na Copa de 2026

⚽ 5. Arbitragem volta ao centro das discussões

Esta Copa foi marcada também por erros e falta de critérios de várias arbitragens. A Argentina foi muito beneficiada por esses “equívocos” de juiz e omissão do VAR.

⚽ 6. Primeiro tempo de controle espanhol

Argentina e Espanha fizeram um primeiro tempo morno, com o time espanhol, dentro das suas características, tocando a bola, tentando construir, e a Argentina procurando se defender e ter uma postura mais reativa. Lamine Yamal, cara a cara, na área, perdeu o gol (goleiro Martinéz defendeu). A seleção portenha respondeu de imediato, num contra-ataque que o goleiro espanhol saiu e tirou. Sem conseguir articular praticamente nada, com Messi bem marcado, e sem chutar a gol, a Argentina teve dificuldade na criação. A Espanha tentou, com chutes de longe, sem sucesso. Cucurella foi avançando sem marcação e chutou rasteiro, com perigo, mas para fora; depois teve outro chute rasteiro que o goleiro pegou. Trocando bolas no fim do primeiro tempo, a Espanha deu um chute rasteiro, mas o goleiro pegou.

⚽ 7. Pressão que aumentou após o intervalo

A Espanha, no segundo tempo, continuou com a iniciativa do jogo, aumentou a pressão e deu sufoco na Argentina, que se segurou como pôde. Numa bola atravessada pela Argentina na sua própria área, a Espanha recuperou e chutou mas o goleiro pegou; chute de Olmo da entrada da área, goleiro argentino bateu-roupa e a bola foi fora; Lamine Yamal foi no fundo, cruzou, houve uma cabeçada e o goleiro argentino pegou; com troca de passes, a Espanha deu chute da entrada da área, mas o goleiro defendeu de novo; depois teve outro chutaço, com nova defesa; outra bola de fundo da Espanha, cabeçada e nova defesa; mais um lançamento na área argentina, outro chute perigoso.

⚽ 8. A prorrogação confirmou o campeão

Na prorrogação, com um a mais, a Espanha continuou em cima, teve várias oportunidades e fez o gol com Ferran Torres, completando, com uma bomba, um passe de cabeça de Niko Williams após bola alçada na área. No final a Argentina deu uma forte pressão, mas não conseguiu chegar ao empate.

Espanha 1x0 Argentina: dez momentos do bicampeonato na Copa de 2026

⚽ 9. Confusão depois do apito final

Como muitas vezes acontece, os argentinos procuraram confusão após o jogo, mas felizmente a situação foi abortada. A esportividade dessa seleção em muitos momentos não existe. Só para citar dois exemplos, na Copa realizada no Brasil, os jogadores argentinos, após receberem a medalha de vice, tiraram imediatamente do pescoço e Messi também desprezou mascotes brasileiros quando o argentino ia entrar em campo.

⚽ 10. Brasileiros que torceram pela Argentina

O número de brasileiros torcendo para a Argentina nesta Copa foi inexplicavelmente gigantesco, esquecendo-se eles de que jamais um argentino vai torcer para a Seleção Brasileira. Os “hermanos” sempre torcem contra o Brasil, cantam músicas nos esculhambando em qualquer jogo e ainda praticam, com frequência, atos de racismo, o que causa antipatia geral. Os “brasucas-argentinos” ficaram frustrados com o resultado final da Copa. Vale lembrar para eles que o Brasil, apesar do péssimo momento atual, tem cinco Copas, é o único país a participar de todas elas, tem na sua história o melhor jogador de todos os tempos, Pelé, que, sozinho, conquistou o mesmo número de Copas da Argentina (três). Chupa, “brazuca-argentino”.

Considerações finais

O futebol nem sempre recompensa quem joga melhor. A história dos Mundiais está repleta de seleções brilhantes que encantaram o mundo, mas ficaram sem a taça. Nesta edição, porém, o desfecho foi diferente. A Espanha transformou desempenho em título e confirmou, na decisão, tudo o que havia apresentado desde a fase de grupos.

Assim chega ao fim a série especial "10 momentos da Copa do Mundo de 2026", que acompanhou os principais capítulos do Mundial sob o olhar analítico de Kleber Leal. Ao longo da competição, cada partida mostrou que, no futebol, os detalhes seguem fazendo a diferença, mas, desta vez, o título ficou com quem mais convenceu dentro de campo do primeiro ao último jogo.

Ficha técnica

Competição: Copa do Mundo - Final
Local: MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey (EUA)
Data e horário: 19 de julho de 2026, às 16h (de Brasília)
Público: 80.663 pessoas
Árbitro: Slavko Vincic (ESL)
Assistentes: Tomaz Klancnik e Andraz Kovacic (ESL)
VAR: Bastian Dankert (ALE)
Cartões amarelos: L. Martínez (ARG), L. Paredes (ARG), E. Fernández (ARG), C. Romero (ARG) e A. Mac Allister (ARG)
Cartão vermelho: E. Fernández (ARG)
Gol: Ferran Torres (1'/2ºT-P) (ESP)

Espanha: Unai Simón; Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte (Eric García) e Marc Cucurella; Rodri (Martin Zubemendi), Fabián Ruiz (Pedri) e Dani Olmo (Mikel Merino); Alex Baena (Nico Williams), Lamine Yamal e Mikel Oyarzabal (Ferran Torres). Técnico: Luis de la Fuente.

Argentina: Emiliano Martínez; Gonzalo Montiel (Nahuel Molina), Cristian Romero (Facundo Medina), Lisandro Martínez (Nicolás Otamendi) e Nicolás Tagliafico; Rodrigo De Paul (Giuliano Simeone), Nico González (Leandro Paredes), Alexis Mac Allister e Enzo Fernández; Julián Álvarez (Marcos Senesi) e Lionel Messi. Técnico: Lionel Scaloni.
*Kléber Leal, especial para o Blog Ponto da Notícia
Jornalista e torcedor do Bahia

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