O resultado não foi apenas uma resposta dentro de campo. Depois de cinco empates consecutivos e de atuações que alimentaram a desconfiança, o Bahia reencontrou no clássico justamente o que mais vinha faltando: intensidade, imposição e confiança para jogar de igual para igual — e, em muitos momentos, por cima do maior rival. O triunfo muda o clima, recupera o ambiente e dá ao Tricolor uma oportunidade de transformar o feito inédito em ponto de virada.
Na análise do jornalista e colaborador do Blog Ponto da Notícia, Kleber Leal, o Ba-Vi está recheado de histórias. Há a aposta em Kiki, as mudanças de Ceni, a explosão de Alejo Véliz, o gol de Jean Lucas, as provocações depois da comemoração, fim de jejum e uma série de episódios que deram ao clássico um roteiro próprio. Abaixo, confira os detalhes que ajudam a entender como o Bahia saiu do Barradão maior do que entrou.
Dez observações sobre Vitória 0x2 Bahia
⚽ 1. RESPEITEM O BAHIA!
A semana inteira torcedores do nosso rival transbordavam arrogância, soberba, afirmando que o time deles iria nos golear no Barradão. Eles se escudavam nas nossas últimas performances no Brasileirão, com 5 empates seguidos, e na deles em casa, com triunfos consecutivos não só no Brasileirão como em mata-mata da Copa do Brasil. Mas clássico é clássico e Bahia é Bahia. Respeitem o Maior do Nordeste!. O resultado foi um merecido triunfo tricolor por 2 a 0, que poderia ser maior caso todas as chances claras que criamos fossem convertidas.
⚽ 2. UMA TARDE ESPECIAL PARA ROGÉRIO CENI
O jogo marcou nosso primeiro triunfo, em Brasileirões, contra o time de Canabrava, no campo deles. Marcou também o 200° jogo do técnico Rogério Ceni no Esquadrão e, dessa vez, ele merece todo o elogio possível, pois anulou o time dos caras e teve volume até para golear. Bancou a entrada de Kiki, que ninguém queria, e esse jogador teve um papel tático excelente, reforçando o lado direito da nossa defesa, anulando o forte tripé ofensivo esquerdo do time do aterro. Matheuzinho, Eric e Ramon não viram a cor da bola. Dominou o meio-campo dos caras. As mudanças que Rogério fez durante o jogo surtiram muito efeito, basta dizer que nosso segundo gol surgiu de uma jogada muito bem articulada por Michel Araújo e Everaldo, sendo concluída por Jean Lucas, todos que entraram durante a partida. Foi uma das melhores performances de Ceni desde que chegou ao Bahia.
⚽ 3. FALTA DE ESPORTIVIDADE
Mais uma vez jogadores do campeão do “Torneio da Uva” demonstraram falta de esportividade, quando tomaram e tentaram rasgar a camisa de Jean Lucas, que mostrava para a torcida após o segundo gol. Inúmeras vezes, ao longo da história, atletas do lado de lá provocaram nossa torcida e ninguém fez nada, aceitando e respeitando o momento deles. Aliás, eu não sei por que Cacá e Marinho, envolvidos nessa patifaria, não foram expulsos.
⚽ 4. O QUE ESTAVA FALTANDO
Neste Bavi, não faltaram ao Bahia garra, vontade, determinação e outros itens importantes para se vencer, principalmente num clássico. Tudo isso vinha faltando em partidas anteriores, fazendo com que tivéssemos um jejum terrível de triunfos.
Neste Bavi, não faltaram ao Bahia garra, vontade, determinação e outros itens importantes para se vencer, principalmente num clássico. Tudo isso vinha faltando em partidas anteriores, fazendo com que tivéssemos um jejum terrível de triunfos.
⚽ 5. UM RESULTADO QUE PODE MUDAR O AMBIENTE
Além da grande alegria que gera quando batemos o maior rival, deixando o ambiente mais leve, o resultado desta partida tem tudo para gerar também um efeito psicológico positivo para a sequência do Campeonato Brasileiro.
⚽ 6. UMA ATUAÇÃO PARA SER LEMBRADA
A atuação do Bahia foi excelente, em momento algum o time se acovardou ou sentiu a pressão do campo deles. Foi superior em praticamente os 90 minutos e só não deu uma goleada histórica porque nossa pontaria não estava afiada. Ronaldo esteve bem, Roman Gomes e Juba idem, a zaga impecável, a meiúca alugou o campo (Acevedo sempre bem), Pulga azucrinou os caras, Alejo brocou, os suplentes arrebentaram, enfim, uma partida memorável e inesquecível do Esquadrão, que calou a boca de todos que não estavam confiantes, inclusive a minha (lá ele rsrsrs).
⚽ 7. VIOLÊNCIA FORA DO ESTÁDIO
Fato lamentável aconteceu próximo ao estádio deles (na Via Regional), com o assassinato de um torcedor do Bahia. Isso só reforça a ideia de que torcida única nesses clássicos tem que ser para sempre, pois, sem as duas torcidas se dirigindo em massa para ver o jogo, ainda ocorrem essas barbaridades, imagine se liberar a ida das duas. Vai ser um caos, um risco muito grande. O problema da insegurança não é dentro do estádio e sim nos arredores, nos bairros, no trajeto, em tudo quanto é lugar. Não tem como a polícia controlar o espaço de praticamente a cidade inteira. O MP está corretíssimo em não permitir a presença das duas torcidas . É questão de bom senso, segurança e sobrevivência.
Fato lamentável aconteceu próximo ao estádio deles (na Via Regional), com o assassinato de um torcedor do Bahia. Isso só reforça a ideia de que torcida única nesses clássicos tem que ser para sempre, pois, sem as duas torcidas se dirigindo em massa para ver o jogo, ainda ocorrem essas barbaridades, imagine se liberar a ida das duas. Vai ser um caos, um risco muito grande. O problema da insegurança não é dentro do estádio e sim nos arredores, nos bairros, no trajeto, em tudo quanto é lugar. Não tem como a polícia controlar o espaço de praticamente a cidade inteira. O MP está corretíssimo em não permitir a presença das duas torcidas . É questão de bom senso, segurança e sobrevivência.
⚽ 8. PRIMEIRO TEMPO
O jogo começou mais ou menos equilibrado. O Bahia escapou de tomar um gol logo no comecinho, num cruzamento em que Juba tentou cortar e quase faz contra; o Esquadrão respondeu com um cruzamento rasante, perigoso, mas que Lucas Arcanjo defendeu; Pulga recebeu na esquerda, fechou para o meio e bateu fraco, mas o goleiro pegou; Nestor recebeu na corrida e chutou alto pra fora; bola na área do Bahia e Juba tirou o pão da boca de Renê, que já ia concluir a gol; Pulga passou para Juba na área, ele chutou e Arcanjo defendeu; disputa de bola na área, Ramon chutou na sobra e Ronaldo pegou; falta cobrada forte por Zé Vitor, pra fora; Walace recebeu na lateral do campo, soltou a bomba que assustou; a partir dos 25 minutos o Bahia tomou conta das ações. Teve um chute de longe de Kiki na lua; outro chute de longe de Nestor pra fora; Nestor cobrou escanteio, David Duarte cabeceou fraco, Arcanjo pegou; o Bahia entrou tocando na área, Pulga tocou para Roman, que chutou bizarro com a perna cega, desperdiçando a chance; Nestor levantou na área, Erik sozinho cabeceou pra fora; Pulga recebeu na área, cortou e chutou por cima. A pressão era total do Bahia, mas aí veio um contragolpe do time de Canabrava em que Renê recebeu livre mas felizmente foi desarmado por Juba, que salvou o Esquadrão.
⚽ 9. SEGUNDO TEMPO
O Bahia continuou bem no início do segundo tempo, mas a partir dos 15 o time deles melhorou. Numa bola na área, Pulga cabeceou à queima roupa, o goleiro defendeu e Alejo completou mal; falta para o Bahia, Nestor chutou pra cima; Nestor recebe na corrida, chutou alto pra fora; Juba tirou o pão da boca de René num lance na nossa área; bola na área, passe de peito, bomba, Ronaldo pegou; Mateuzinho manda por cima de longe, sem perigo; cruzamento de Ramon, Pochettino toca de cabeça na trave; Pulga fez cruzamento na área, Alejo subiu, fez 1 a 0 de cabeça e saiu “metralhando” o povo de Canabrava; contra-ataque, Pulga chutou longe, mas já era impedimento; Jean Lucas recebeu lançamento primoroso de Juba e chutou na trave, perdendo gol feito; Kiki recebeu livre e perdeu; contra-ataque deles Marinho chutou com perigo, mas pra fora; Ruan Pablo recebeu, fechou para o meio e chutou na lua; Alejo Véliz dá ótima assistência a Kiki, que toca mas a zaga tira em cima da linha; Renê pegou a sobra na área, chutou mas Juba salvou o gol ao ficar na frente e interceptar; Pochettino cobra escanteio, René cabeceou pra fora; Michel Araújo roubou uma bola, trocou passes com Everaldo, deu um corte no zagueiro e rolou para Jean Lucas tocar para o gol, dando números finais ao jogo.
⚽ 10. MOTIVAÇÃO TOTAL
Futebol é muito dinâmico e, da mesma forma que uma fase ruim chega e permanece por um tempo, ela vai embora e tudo começa a correr bem. Este triunfo contra o time de Canabrava, sem dúvida, proporciona uma grande motivação para todo mundo (jogadores, corpo técnico, dirigentes e, principalmente a torcida). Agora é lotar a Fonte Nova no próximo final de semana e partir para vencer o Inter e dar sequência a essa mudança de chave, com fé em Deus. Vamos lotar a Fonte e empurrar o time para fazermos mais três pontos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Ba-Vi chegou em um momento delicado para o Bahia e terminou de uma forma que poucos imaginavam depois das últimas rodadas. A equipe que acumulava empates, dúvidas e atuações abaixo do esperado encontrou, justamente no clássico e na casa do rival, uma resposta que vinha sendo cobrada há semanas.
O triunfo não apaga automaticamente os problemas que apareceram antes do Barradão. Mas muda o cenário para a sequência. O próximo desafio será transformar a atuação do clássico em ponto de partida, e não em um capítulo isolado. Diante do Internacional, o Bahia terá a chance de mostrar se o clássico representou apenas uma tarde especial ou o começo de uma mudança que a temporada já estava exigindo.
FICHA TÉCNICA
Campeonato Brasileiro - 24ª rodada
Local: Barradão, em Salvador (BA)
Data: 23/08/2026 (domingo)
Horário: 16h
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (ambos do RJ)
VAR: Wagner Reway (SC)
Público: 30.553 pessoas
Renda: R$ 668.608,00
Cartão amarelo: Matheuzinho, Marinho (Vitória) / Rodrigo Nestor, Erick Pulga, Jean Lucas (Bahia)
Gols: Alejo Veliz, Jean Lucas (Bahia)
Vitória: Lucas Arcanjo; Brítez (Mateus Silva), Cacá, Luan Cândido e Ramon; Walace (Martínez), Zé Vitor e Matheuzinho (Renato Kayzer); Erick (Marinho), Diego Tarzia (Pochettino) e Renê. Técnico: Jair Ventura.
Bahia: Ronaldo; Román Gómez, David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba; Acevedo, Erick (Jean Lucas) e Rodrigo Nestor (Michel Araujo); Kike Olivera, Erick Pulga (Ruan Pablo) e Alejo Veliz (Everaldo). Técnico: Rogério Ceni.


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