quarta-feira, 22 de julho de 2026

Atlético-MG 1x1 Bahia: dez observações do empate em BH pelo Brasileirão

Atlético-MG 1x1 Bahia: dez momentos do empate em BH pelo Brasileirão


Empatar fora de casa contra um adversário direto costuma ser um resultado comemorado. Porém, em Belo Horizonte (BH), o Bahia deixou a sensação de que poderia ter ido além. Em um jogo de dois tempos completamente diferentes, o Tricolor soube mostrar capacidade de resposta após um início complicado, mudou o comportamento na etapa final e retornou de Minas Gerais com um ponto que o mantém na briga pelo G-4 após a retomada do Campeonato Brasileiro.

Entre ajustes promovidos pelo comandante Rogério Ceni, atuações que reforçaram a disputa por posição, decisões de arbitragem que voltaram a provocar reclamações e um confronto de bom nível técnico, o duelo em BH entregou muito mais do que o placar final sugere.

Na Arena MRV, a igualdade em 1 a 1 contou apenas parte da história. A outra aparece na leitura feita pelo jornalista e colaborador do Blog Ponto da Notícia, Kleber Leal, que mergulha nos detalhes de uma partida marcada por mudanças de cenário, reação do Esquadrão e lances que influenciaram diretamente o roteiro do confronto. Abaixo, confira os 10 momentos.

Análise Atlético-MG 1x1 Bahia

⚽ 1. Um ponto que faz sentido

Bahia e Atlético Mineiro fizeram aquele típico jogo mais ou menos equilibrado que, se tivesse um vencedor, não seria injusto para nenhum dos lados. O Galo foi melhor no primeiro tempo e o Esquadrão, no segundo. Ambos colocaram bola na trave, criaram várias oportunidades e a emoção foi até o último minuto, com a cabeçada de David Duarte no travessão. No final, o placar de 1x1 acabou ficando de bom tamanho.

⚽ 2. O lado esquerdo virou alvo

O Galo explorou o jogo inteiro o nosso lado esquerdo, com Natanael e Cuello, que envolveram muitas vezes Zé Guilherme, mas Rogério não conseguiu impedir. Poderia ter colocado um homem a mais nesse setor para dar um suporte melhor.

⚽ 3. Um meio-campo com outra característica

Até recentemente nosso meio-campo era extremamente técnico (Caio Alexandre, Jean Lucas e Éverton Ribeiro), mas marcava pouco, e isso muitas vezes complicava tudo. Agora, não temos a mesma qualidade técnica no setor, porém tem uma pegada bem mais forte, fato que no final acaba sendo muito positivo. Acevedo, Eric e Nestor marcam bastante e o último tem articulado boas jogadas. Mérito para Rogério Ceni. E com esses três novos titulares e jogando bem, ainda temos um banco composto por ex-titulares que podem ajudar quando necessário.

⚽ 4. Rodrigo Nestor vive grande fase

Rodrigo Nestor vive seu melhor momento no Bahia, e novamente jogou muita bola, chamando para si a responsabilidade do time em campo. No primeiro tempo acabou salvando um gol, numa bola chutada em que ele ficou na frente e desviou com o corpo; no segundo, entre as muitas ações positivas dele, deu a assistência para nosso empate, cobrou uma falta no ângulo que o goleiro Everson defendeu e participou ativamente de outras ações, inclusive defensivas.

⚽ 5. Pulga ainda busca reencontrar o melhor futebol

Mais uma partida ruim de Eric Pulga, que parece que desaprendeu a jogar, apesar de até ter sofrido um pênalti, que não foi marcado. Pulga não consegue dar um drible, não dá uma assistência e erra em quase todas as decisões (teve um lance, na frente da área, que era para ele chutar logo, mas preferiu dar um toquinho a mais para ajeitar e perdeu a chance). Tomara que essa fase ruim dele passe logo para que volte a jogar o que sabe e nos ajudar.


⚽ 6. Primeiro tempo de pressão atleticana

O Atlético iniciou o jogo pressionando o Bahia, que tentava a transição na bola longa. O time mineiro explorou nosso lado esquerdo, com Natanael e Cuello, que na maioria das vezes levou vantagem sobre Zé Guilherme. Num chute cruzado de Cuello de dentro da área, Ronaldo faz grande defesa; outra descida perigosa pelo lado esquerdo da nossa defesa, zaga abafou; escanteio cobrado, houve desvio e Cassierra chutou, mas a bola tocou em Rodrigo Nestor e ainda resvalou na trave; o Bahia tentou sair da pressão se utilizando da velocidade de Ademir. No nosso primeiro ataque, Ademir avançou mas se atrapalhou e perdeu a bola; depois Ademir entrou na área e cruzou para William José, que mandou de cabeça na trave; Ademir recebeu novamente na direita, fechou para meio e bateu mal pra fora; Cuello foi no fundo, cruzou, Jean Lody cabeceou pra fora; Cuello virou o jogo e Renan Lodi chutou pra fora; o Galo acabou abrindo escore no fim do primeiro tempo, num cruzamento de Bernard, que Ruan Tressoldi, mal marcado por Zé Guilherme e nossa zaga, cabeceou e fez.

⚽ 7. A reação tricolor após o intervalo

O Bahia adotou uma postura diferente no segundo tempo e passou a pressionar o Galo. Teve logo um chute perigoso e uma cabeçada de Eric; chegou ao empate com um lançamento de Eric para Rodrigo Nestor e este rolou de forma primorosa para Ademir, livre, dominar e brocar; no contragolpe, o Galo também criou chances. Renan Lody chutou de longe, a bola desviou na zaga e quase entra; Bernard entrou livre, penetrou na área, deu um corte e chutou no canto, mas a bola vai pra fora; escanteio cobrado, confusão na área e Roman Gómez girou e chutou com perigo, embora pra cima; Natanael e Cisse desceram pela direita, o chute saiu mas por cima; saída de bola errada do Bahia, o Atlético recuperou, houve o chute para o gol, mas Ronaldo defendeu; Nestor chutou de longe no ângulo, Everson espalmou; Dudu cobrou falta na área, cabeçada de Cassierra pra fora; Cuello deu uma bomba e Ronaldo defendeu esquisito. No último lance da partida, ataque tricolor, bola alta na área, cabeçada de David Duarte e a bola caprichosamente bateu na trave, desceu mas não caiu no gol, infelizmente.

⚽ 8. A Lei do Ex e a festa de Ademir

A Lei do Ex funcionou a nosso favor com o gol de Ademir, que já gosta de brocar seu ex-time e sempre comemora bastante, sem essa de fazer a besteira de ficar parado em “respeito” ao ex.

Aliás, quando os jogadores estavam festejando o gol a torcida arremessou copos de cerveja. Será que o Galo vai perder mando de campo? Espero que sim, porque, se fosse a torcida do Bahia que fizesse isso na Fonte, com certeza nosso time perderia.

⚽ 9. Arbitragem e VAR novamente em debate

Não dá para entender os critérios da arbitragem e do VAR brasileiros. Houve dois lances que, se fossem a favor do Galo, seriam pênaltis, não tenho dúvida, principalmente o que envolveu Pulga, quando ele tira a bola do zagueiro e este toca claramente na perna do nosso jogador, fazendo falta dentro da área.

⚽ 10. Agora é dia de Fonte Nova lotada

Domingo vamos enfrentar o Corinthians na Arena Fonte Nova e, aproveitando esta boa atuação contra o Galo, é dia de a Nação Tricolor, mais do que nunca, encher o estádio e empurrar o time em busca de um triunfo, que servirá para consolidar este bom começo pós-Copa e continuar surfando nessa boa fase.

Considerações finais

O empate em Belo Horizonte deixou uma impressão diferente daquela apresentada na vitória sobre a Chapecoense. Se contra a equipe catarinense o Bahia confirmou a obrigação de vencer, diante do Atlético-MG mostrou um poder de reação que será fundamental na sequência do Brasileirão.

O Tricolor enfrentou um adversário mais qualificado, soube mudar o comportamento durante a partida e voltou para casa com um ponto que mostra a evolução, mas também mantém o alerta sobre os detalhes que ainda precisam ser corrigidos.

A próxima resposta será diante da torcida em Salvador. Contra o Corinthians, o Bahia terá a chance de transformar essa nova postura em mais um resultado positivo e mostrar que a competitividade apresentada não foi apenas um momento isolado, mas parte de uma construção para o restante da temporada.

Ficha técnica 

Competição: Brasileirão - 19ª rodada
Local: Arena MRV, em Belo Horizonte (MG)
Data e horário: 21 de julho de 2026, às 19h30 (de Brasília)
Árbitro: Braulio da Silva Machado (SC)
Assistentes: Eduardo Gonçalves da Cruz (MS) e Thiaggo Americano Labes (SC)
VAR: Caio Max Augusto Vieira (RN)
Gols: Ruan Tressoldi (CAM), aos 45 min do 1º tempo; Ademir (BAH), aos 11 min do 2º tempo.

Atlético-MG: Éverson; Natanael, Lyanco, Ruan Tressoldi e Renan Lodi; Maycon (Cissé), Victor Hugo (Dudu) e Tomás Pérez; Tomás Cuello, Mateo Cassierra e Bernard (Reinier). Técnico: Eduardo Domínguez.

Bahia: Ronaldo; Román Gómez, David Duarte, S. Ramos Mingo (Marcos Victor) e Zé Guilherme (Iago); N. Acevedo, Erick e Rodrigo Nestor; Ademir (Éverton Ribeiro), Willian José (Ruan Pablo) e Erick Pulga (Kauê Furquim). Técnico: Rogério Ceni.
*Kléber Leal, especial para o Blog Ponto da Notícia
Jornalista e torcedor do Bahia

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