domingo, 28 de junho de 2026

Leucemia e anemia: sintomas que merecem atenção

Leucemia e anemia: sintomas que merecem atenção

Muitas vezes confundidas com problemas comuns do dia a dia, a leucemia e a anemia podem comprometer seriamente a saúde quando não são identificadas a tempo. Embora tenham causas e características diferentes, ambas podem provocar sintomas que passam despercebidos ou são atribuídos a outras condições, atrasando a investigação médica e o início do tratamento.

VEJA TAMBÉM: 

O avanço dos casos reforça a importância da informação e do acompanhamento adequado. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que a leucemia ocupa a décima posição entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, com previsão de mais de 11 mil novos casos entre 2023 e 2025. No Nordeste, ela figura entre os cânceres mais incidentes tanto em homens quanto em mulheres.

Já a anemia é considerada um importante problema de saúde pública em escala mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,2 bilhões de pessoas convivem com algum tipo da doença, o equivalente a aproximadamente 30% da população mundial.

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) de 2022 revelou que aproximadamente 3 milhões de crianças menores de cinco anos foram diagnosticadas com anemia, enquanto a prevalência entre as mulheres também permanece elevada.

Embora o tema ganhe maior visibilidade durante a campanha Junho Laranja, criada em 2011 pelo movimento Eu Sou Sangue para conscientizar a população sobre a prevenção da leucemia e da anemia, especialistas destacam que a atenção aos sintomas e a realização de exames não devem ficar restritas a uma época específica do ano.

Quanto mais cedo alterações importantes são identificadas, maiores tendem a ser as possibilidades de controle da doença e de um tratamento eficaz.

O que é a leucemia e como a doença se desenvolve

A leucemia é um tipo de câncer que tem origem na medula óssea, tecido responsável pela produção das células do sangue. Quando ocorre uma alteração nesse processo, células anormais passam a se multiplicar de forma descontrolada, comprometendo a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

O oncologista e coordenador médico do Hospital Integrado do Câncer (HIC) do Hospital Mater Dei Salvador, Cleydson Santos, explica que a doença pode ser dividida em quatro formas principais.

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é a mais frequente, especialmente durante a infância. Já a Leucemia Mieloide Aguda (LMA) ocorre com maior frequência em adultos, embora também possa atingir crianças.

Entre as formas crônicas estão a Leucemia Linfoide Crônica (LLC) e a Leucemia Mieloide Crônica (LMC), ambas mais comuns em adultos e idosos.

Cada tipo apresenta características próprias e exige estratégias específicas de acompanhamento e tratamento, tornando o diagnóstico correto uma etapa fundamental para definir a conduta médica.

Sintomas costumam surgir rapidamente nas formas agudas

Conforme o médico Cleydson Santos, as leucemias agudas costumam evoluir rapidamente e provocar alterações importantes no organismo.

Os primeiros sinais geralmente estão relacionados à redução das células sanguíneas produzidas pela medula óssea e podem ser confundidos com outras doenças nas fases iniciais.

Entre os sintomas mais frequentes estão:

- Fraqueza e fadiga intensa;
- Indisposição persistente;
- Febre sem causa aparente;
- Infecções recorrentes;
- Dores nos ossos;
- Manchas roxas ou avermelhadas na pele;
- Sangramentos nas gengivas ou pelo nariz;
- Queda das plaquetas;
- Emagrecimento sem explicação.

O especialista acrescenta que a doença também pode atingir outros órgãos. A infiltração de células leucêmicas no fígado e no baço pode provocar aumento do volume abdominal. Em situações mais avançadas, quando há comprometimento do sistema nervoso central, também podem surgir alterações neurológicas, episódios de confusão mental e outros distúrbios.

Hemograma pode ser o primeiro passo para identificar a doença

Apesar de se desenvolver na medula óssea, a investigação da leucemia normalmente começa por um exame bastante conhecido: o hemograma.

Para Cleydson Santos, esse exame simples de sangue pode revelar alterações importantes nas células sanguíneas e levantar a suspeita da doença, indicando a necessidade de uma investigação mais aprofundada.

No entanto, o especialista ressalta que o hemograma não confirma o diagnóstico sozinho. Para identificar o tipo de leucemia e definir o tratamento mais adequado, é necessária a avaliação direta da medula óssea.

Mielograma confirma o diagnóstico

Quando existe suspeita de leucemia, o exame que confirma a doença é o mielograma. O procedimento consiste na coleta de uma pequena amostra da medula óssea por meio de uma punção, permitindo analisar as células responsáveis pela formação do sangue.

A partir dessa avaliação, a equipe médica consegue identificar o tipo de leucemia, avaliar a extensão da doença e definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.

Cleydson Santos ressalta que essa etapa é essencial para direcionar o tratamento de forma segura e individualizada.
Tratamentos ampliaram as chances de controle da doença

Os avanços da medicina ampliaram significativamente as possibilidades de tratamento da leucemia nas últimas décadas.

Ainda de acordo com o oncologista, as leucemias agudas, como a Leucemia Linfoide Aguda (LLA) e a Leucemia Mieloide Aguda (LMA), costumam ser tratadas inicialmente com quimioterapia administrada diretamente na veia, com o objetivo de eliminar as células malignas e permitir que a medula óssea volte a produzir células saudáveis.

Em muitos casos, o paciente precisa permanecer internado durante essa fase do tratamento. Isso acontece porque a redução temporária das células de defesa aumenta o risco de infecções, exigindo acompanhamento contínuo em ambiente hospitalar e com rigoroso controle clínico.

O especialista também destaca que o tratamento é definido de forma individualizada, considerando fatores como o tipo de leucemia, a idade do paciente, seu estado geral de saúde e a resposta obtida ao longo da terapia.

Quando o transplante de medula óssea pode ser indicado

Dependendo da evolução da doença e da resposta ao tratamento inicial, alguns pacientes podem precisar de um transplante de medula óssea.

Cleydson Santos ressalta que o procedimento tem como objetivo substituir a medula comprometida por células saudáveis, capazes de restabelecer a produção normal das células do sangue.

Sempre que possível, a busca por um doador compatível começa entre familiares. Quando isso não é possível, a procura é feita nos bancos de doadores de medula óssea, ampliando as chances de encontrar uma compatibilidade adequada.

A indicação do transplante depende de critérios clínicos específicos e é avaliada individualmente pela equipe médica responsável pelo acompanhamento do paciente.

7 sinais que não devem ser ignorados

Embora esses sintomas possam estar relacionados a diferentes doenças, sua persistência merece avaliação médica:

- Fraqueza e cansaço intenso, mesmo após períodos de descanso;
- Febre persistente sem causa aparente;
- Infecções frequentes ou de difícil tratamento;
- Manchas roxas ou avermelhadas surgindo com facilidade;
- Sangramentos recorrentes, principalmente nas gengivas ou pelo nariz;
- Dores nos ossos ou nas articulações;
- Perda de peso sem explicação, acompanhada ou não de aumento do volume abdominal.

A presença desses sinais não confirma, por si só, um diagnóstico de leucemia. No entanto, quando eles persistem ou aparecem em conjunto, a recomendação é procurar avaliação médica para investigar a causa e, se necessário, realizar exames complementares.

Anemia também exige atenção

Embora seja frequentemente associada apenas à deficiência de ferro, a anemia engloba diferentes condições que reduzem a capacidade do sangue de transportar oxigênio para os tecidos do corpo.

Como consequência, o organismo passa a funcionar com menor eficiência, comprometendo a disposição, o desempenho nas atividades diárias e a qualidade de vida.

Assim como ocorre com outras doenças hematológicas, identificar a causa da anemia é fundamental para definir o tratamento mais adequado. Por isso, sintomas persistentes nunca devem ser ignorados e precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Sintomas da anemia também merecem atenção

Os sinais podem variar conforme o tipo e a intensidade da anemia, mas alguns sintomas costumam ser frequentes:

- Cansaço constante e sensação de fraqueza;
- Palidez na pele e nas mucosas;
- Falta de ar durante pequenos esforços;
- Tonturas ou sensação de desmaio;
- Dor de cabeça recorrente;
- Batimentos cardíacos acelerados em alguns casos;
- Dificuldade de concentração e redução da disposição.

Esses sintomas não indicam, necessariamente, a presença de anemia, mas devem ser investigados quando persistem ou passam a interferir na rotina.

Exames ajudam a identificar alterações antes do agravamento

Exames laboratoriais de rotina desempenham papel importante na identificação de alterações sanguíneas antes mesmo do surgimento de complicações.

Em muitos casos, mudanças observadas no hemograma representam o primeiro indicativo de que algo não está funcionando adequadamente no organismo, orientando o médico sobre a necessidade de exames complementares para confirmar o diagnóstico e identificar a causa do problema.

Manter os exames preventivos em dia é uma das formas mais eficazes de detectar alterações precocemente e iniciar o tratamento quando necessário.

Quem deve ficar mais atento aos sinais

Embora leucemia e anemia possam surgir em qualquer fase da vida, alguns grupos merecem atenção especial quando apresentam sintomas persistentes.

Entre eles estão:

- Crianças, principalmente diante de episódios frequentes de anemia;
- Mulheres, que apresentam maior prevalência de anemia;
- Adultos e idosos, faixa etária em que alguns tipos de leucemia são mais comuns;
- Pessoas com histórico familiar de doenças hematológicas;
- Pacientes que apresentam infecções recorrentes, sangramentos ou perda de peso sem causa aparente.

Nessas situações, a avaliação médica é importante para investigar a origem dos sintomas e definir a necessidade de exames específicos.

Informação faz diferença no cuidado com a saúde

Embora apresentem características distintas, leucemia e anemia têm em comum a importância da informação, da investigação médica e do acompanhamento adequado.

Os avanços da medicina ampliaram significativamente as possibilidades de tratamento, especialmente nos casos de leucemia.

No entanto, reconhecer alterações persistentes no organismo, manter os exames de rotina em dia e procurar assistência médica diante de sinais de alerta continuam sendo atitudes fundamentais para aumentar as chances de controle da doença e preservar a qualidade de vida.

Siga o Blog Ponto da Notícia nas redes sociais: YouTubeWhatsAppFacebook, Instagram e TwitterAtive as notificações, interaja e esteja sempre atualizado.

Nenhum comentário: