segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Bahia 0x3 Flamengo: dez observações de uma noite para esquecer na Fonte Nova

Bahia 0x3 Flamengo: dez observações de uma noite para esquecer na Fonte Nova
Foto: Rafael Rodrigues | EC Bahia

A Fonte Nova recebeu uma torcida numerosa, pronta para empurrar o Bahia diante de um dos adversários mais fortes do Campeonato Brasileiro. O que se viu, porém, foi um contraste difícil de ignorar: enquanto as arquibancadas tentavam sustentar o time, o Flamengo assumia o controle da partida e transformava o campo tricolor em território de pressão constante. No entanto, o placar final não conta sozinho a dimensão do que aconteceu dentro das quatro linhas.

O revés por três gols de diferença expôs um Bahia sem respostas, mas o desempenho também levanta uma questão incômoda sobre o momento da equipe e o que ainda pode alcançar nesta reta final do Brasileirão — inclusive pensando no próximo compromisso, contra o Santos de Neymar e seus ‘parças’, fora de casa.

O que a atuação contra o Flamengo revela?

Na análise, o jornalista e colaborador do Blog Ponto da Notícia, Kleber Leal, apresenta seu olhar sobre o vexame tricolor na Fonte Nova, com observações que vão da atuação em campo à discussão sobre as perspectivas do Bahia no Brasileirão. Uma leitura que coloca em pauta o tamanho do tropeço. Confira!

Dez observações sobre Bahia 0x3 Flamengo

1. SERÁ QUE ANOTARAM A PLACA?


O Flamengo atropelou o Bahia em plena Fonte Nova e o placar de 3 a 0 saiu muito barato por tudo que aconteceu em campo, apesar de o primeiro gol deles ter saído de um pênalti altamente duvidoso. O Esquadrão não viu a cor da bola o jogo todo e há de se perguntar: “Anotaram a placa do ‘veículo’?”.

2. RONALDO EVITOU UM PLACAR AINDA MAIS PESADO

Se não fosse a grande atuação do goleiro Ronaldo, que fez excelentes defesas, o Bahia teria sofrido uma goleada histórica. Aliás, o primeiro tempo ter terminado 0x0 foi um verdadeiro milagre.

3. AS MUDANÇAS DEMORARAM A ACONTECER

No intervalo, mesmo com atuação pífia de praticamente todo mundo (salvando-se Ronaldo e um pouco Kiki), esperava-se que Rogério fizesse alguma mudança, mas ele voltou com o mesmo time, começando a mudar após tomar o primeiro gol.

4. AS SUBSTITUIÇÕES NÃO DERAM RESPOSTA

Os jogadores que entraram também não fizeram nada, pelo contrário: cometeram vários erros. O segundo gol, por exemplo, começou num passe errado de Roman Gomez; Ademir, mal como vem nas últimas partidas; Sanábria mal também; Éverton Ribeiro, como sempre acontece contra o Flamengo, totalmente disperso.

5. UMA NOITE FRUSTRANTE

A torcida compareceu num número excelente (47.465), incentivou muito, mas passou vergonha com o time tão mal, que fez seguramente uma das piores partidas em casa este ano.

6. UM BAHIA SEM REAÇÃO

Nosso time respeitou demais o Flamengo, jogando de forma passiva, sem personalidade, parecendo assustado em campo. Não esboçou nenhuma reação. Quando melhorou um pouco no começo do segundo tempo, tomou o primeiro gol.


7. O DOMÍNIO RUBRO-NEGRO

O Flamengo começou marcando forte, pressionando muito nos primeiros minutos. Ao longo dessa etapa, o Bahia teve uma marcação ineficiente, com linhas muito baixas, e saiu mal para atacar. A pressão do time do Rio foi avassaladora. Com menos de um minuto, Pedro recebeu uma bola na área, cara a cara, mas chutou fraco e a zaga tirou; Carrascal tabelou e chutou, Ronaldo defendeu; Carrascal entrou sozinho e chutou, Ronaldo espalmou pra escanteio; Samuel Lino roubou de Kiki e rolou para Carrascal chutar bem e Ronaldo fazer mais uma defesa; escanteio, Pedro cabeceou e Ronaldo desviou; o Bahia, tentando sair desse sufoco, finalmente respondeu, com jogada de Kiki, que tentou cruzar e a bola sobrou para Juba fuzilar por cima, perdendo boa chance; escanteio cobrado pelo Flamengo, bola sobrou para Pulgar encher o pé e Ronaldo fazer defesaça; Carrascal de novo pegou uma sobra e chutou para outra grande defesa de Ronaldo, que mandou a escanteio; Kiki recebeu, invadiu e chutou com perigo; Pulga aproveitou um mole de Samuel Lino, avançou, mas chutou fraco de esquerda para defesa de Rossi; Pedro recebeu de Samuel Lino na área, chutou bem e Ronaldo salvou; Rodrigo Nestor cobrou escanteio, Alejo cabeceou e Rossi pegou.

8. OS GOLS VIERAM, E O BAHIA DESMORONOU

No segundo tempo, o Bahia melhorou só um pouquinho no início, mas depois o panorama de muita superioridade do Flamengo voltou. Carrascal tocou para Samuel Lino bater forte e Ronaldo defender, mandando a córner; contra-ataque do Bahia, Nestor chutou de longe pra fora; Carrascal driblou Marco Moreno, que fez falta na área: pênalti, muito questionável: Jorginho cobrou e abriu escore; em outro lance, Plata chutou e Ronaldo mandou a escanteio; Léo Pereira pegou uma sobra e bateu, Ronaldo desviou para escanteio; Roman Gomez perdeu a bola para Samuel LIno, que avançou e cruzou para Plata, de cabeça, fazer o segundo gol; Paquetá fez fila na zaga do Bahia e marcou o terceiro. Ademir recebeu na corrida, cabeceou e Rossi defendeu.

9. VAGA NA LIBERTADORES ENTRA EM DEBATE

Por tudo que fez até agora neste campeonato, pelo momento melhor de concorrentes, como Cruzeiro, Atlético-MG, Santos e Atlético-PR, dificilmente o Bahia ficará entre os seis primeiros, muito menos no G4, para chegar à Libertadores ou Pré. Embora, a depender de quem vai ser campeão da Sul-Americana, Copa do Brasil e Libertadores, até o 7º, 8º e 9º colocado podem disputar a Libertadores. Talvez seja melhor, ano que vem, disputar mesmo a Sul-Americana, competição que, pela forma como o Grupo City vem tratando o Bahia, teríamos muito mais condições de chegar longe ou até mesmo vencer. E quem joga a Sula pode participar do Nordestão, o que seria um algo mais se não conseguirmos vaga na Liberta.

10. OUTRA PEDREIRA

A próxima partida será na Vila Belmiro, contra o embalado Santos, que reforçou bastante o time na última janela de transferências, coisa que não fizemos, e o time paulista vem de um triunfo convincente fora de casa contra o Fluminense. O que será que vai acontecer neste jogo? Não se sabe ao certo, mas, se jogar de forma passiva, com medo, sem personalidade alguma, como nesse jogo contra o Flamengo, lamentavelmente vamos tomar outro chocolate, até porque o time santista pegou liga e tem um grande treinador, Cuca. Para conseguirmos um bom resultado, precisamos melhorar muito em relação a este jogo contra o Flamengo.

Considerações finais

A análise deixa uma cobrança que não se encerra no resultado: o Bahia precisa recuperar competitividade e mostrar outra postura diante de um adversário que também chega em boa fase. O desafio agora é transformar a insatisfação com a atuação em uma resposta dentro de campo. Na Vila Belmiro, o Esquadrão terá a oportunidade de mostrar se a noite na Fonte Nova foi um tropeço isolado ou um sinal de problemas que exigem reação imediata.

Ficha técnica

Campeonato Brasileiro - 31ª rodada
Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Fernanda Nândrea Gomes Antunes (MG)
VAR: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)
Gols: Jorginho (18'/2ºT), Plata (27'/2ºT) e Lucas Paquetá (32'/2ºT) (FLA)
Cartões amarelos: Marco Moreno, Román Gómez, Jean Lucas e Kike Olivera (BAH); Léo Pereira e Pulgar (FLA)

Bahia: Ronaldo; Marcos Victor (Román Gómez), David Duarte, Marco Moreno e Luciano Juba; Acevedo (Caio Alexandre), Jean Lucas e Rodrigo Nestor (Éverton Ribeiro); Kike Olivera (Ademir), Erick Pulga (Sanabria) e Alejo Véliz. Técnico: Rogério Ceni.

Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz (Vitão), Léo Pereira e Emerson Royal; Pulgar (De la Cruz), Jorginho e Carrascal (Lucas Paquetá); Plata, Samuel Lino (Joaquín Freitas) e Pedro (Bruno Henrique). Técnico: Leonardo Jardim.
*Kléber Leal, especial para o Blog Ponto da Notícia
Jornalista e torcedor do Bahia

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