segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Athletico-PR 2x1 Bahia: dez observações de um jogo perdido no detalhe


Há derrotas que deixam pouco espaço para discussão. Outras permanecem na cabeça por algum tempo justamente porque o jogo parecia caminhar para um desfecho diferente. Foi o caso do Bahia em Curitiba. Em uma partida equilibrada, com momentos de pressão dos dois lados e margem para o Esquadrão sair de campo com outro resultado, um detalhe acabou pesando mais do que todos os demais.

O revés interrompeu uma sequência importante do Bahia no Campeonato Brasileiro e aconteceu justamente quando a equipe se aproximava de uma pausa no calendário. O cenário da tabela também mudou: o Fluminense voltou a ocupar o quarto lugar e o Tricolor viu a disputa pelas primeiras posições ficar ainda mais apertada.

Mas há muito mais por trás dos 2 a 1 fora de casa. O que aconteceu nos minutos finais, as escolhas em momentos decisivos, os pênaltis que voltam a entrar na conta e o desempenho de alguns jogadores ajudam a entender por que uma partida tão equilibrada terminou deixando um gosto tão amargo.

A análise do jornalista e colaborador do Blog Ponto da Notícia, Kleber Leal, revisita os principais momentos do confronto sem se limitar ao resultado. Entre críticas, avaliações individuais, lances que poderiam ter mudado a história da partida e uma projeção para o retorno do Brasileirão, as dez observações ajudam a olhar para o jogo por outros ângulos. Confira abaixo!

DEZ OBSERVAÇŌES SOBRE ATHLETICO-PR 2x1 BAHIA

1 - DERROTA DOLOROSA

Partida disputadíssima, que nós tínhamos tudo para arrancar pelo menos um ponto, mas Everaldo nos acréscimos perdeu um pênalti, que empataria, aumentaria nossa invencibilidade no Brasileirão para 12 jogos e nos manteria em quinto lugar, mas com a mesma pontuação do quarto colocado. Com o triunfo, o time do Paraná ficou em terceiro e o Fluminense agora é o quarto, só que com dois pontos a mais que a gente. Foi uma derrota dolorosa justamente no momento em que o campeonato vai dar uma parada longa para a tal data-Fifa, com jogos da seleção Brasileira.

2 - O LANCE QUE MUDOU TUDO PARA EVERALDO

Everaldo está tão “carregado” de negatividade que, no lance que originou pênalti, assinalado pelo VAR (Daronco nada marcou), a bola fatalmente entraria no gol no chute do próprio Everaldo, mas Jádson, ex-Bahia, acabou desviando com o braço. Ou seja, Eve ia sair como herói, fazendo o gol com a bola rolando, mas acabou saindo como vilão, o maior responsável por esta derrota, pois perdeu uma penalidade.

3 - POR QUE JUBA NÃO BATEU?

Muitos vão questionar o porquê de Juba não ter batido o pênalti, já que acertou os dois últimos que cobrou, embora o penúltimo, contra o Bragantino, o goleiro quase pegasse. Acontece que Everaldo sempre foi nosso melhor cobrador e confesso que até eu concordei que ele fosse para a cobrança. Infelizmente, deu tudo errado e nós acabamos por perder um famoso “jogo de seis pontos”. Paciência!

4 - UM EMPATE TALVEZ FOSSE MAIS JUSTO

O empate talvez espelhasse melhor tudo que aconteceu no jogo, com os dois times procurando o triunfo, num confronto muito equilibrado. Mas o Athletico venceu no detalhe. Não se pode perder penalidade máxima em nenhuma situação e, no final de um jogo como esse, pior ainda. Com essa, Everaldo se queimou de vez junto á torcida.


5 - A CONTA DOS PÊNALTIS PERDIDOS

Nessa brincadeira, em dois jogos deste Brasileirão, deixamos de ganhar 3 pontos no total, devido a pênaltis perdidos. No empate contra o time de Canabrava no primeiro turno, poderíamos ter ganho o jogo (2 pontos a mais) se William José não perdesse a penalidade; nessa partida contra o Furacão, perdemos o jogo quando poderíamos ter empatado e ganhar pelo menos 1 ponto.

6 - QUEM FOI BEM E QUEM DEIXOU A DESEJAR

Nossa defesa teve boa participação de David Duarte. Marcos Victor também fez bom jogo, assim como Juba; Kanu vinha bem até o Bahia tomar o segundo gol, quando permitiu que o atacante antecipasse para concluir para as redes. No meio, Acevedo dessa vez não esteve bem; Erik horrível, bem como Nestor; Ademir mal, Pulga razoável, Alejo fez boas jogadas de pivô, saindo para trocar bons passes, mas há momento que é para concluir a gol e não faz isso.

7 - O BANCO NÃO AJUDOU

Desta vez ninguém que entrou durante o jogo foi bem. Caio Alexandre, Jean Lucas, Éverton Ribeiro, Cauê Furquim e, principalmente, Everaldo não acrescentaram nada e, pior, nosso Eve, repito, impediu que ganhássemos um pontinho pelo menos.

8 - O CERCO DO FURACÃO NA SAÍDA DE BOLA

O Furacão começou pressionando a saída de bola do Bahia, que tinha dificuldades para se desvencilhar do cerco. Mendoza chutou de dentro da área, mas Ronaldo defendeu. Mal o Esquadrão roubava uma bola, o adversário tomava devido a nossa lentidão. Apesar disso, tivemos dois contragolpes que por pouco não originaram lances de perigo, um com Alejo e outro com Ademir, mas a defesa atlheticana recuperou a bola. Logo depois, numa descida rápida do time paranaense, a bola foi rolada para Esquivel bater de primeira e fazer 1 a 0, aos 16 minutos; Marcos Victor alçou na área, o goleiro Mikael tentou pegar, soltou e Pulga fuzilou para empatar, aos 25 minutos; falta cobrada para a área do Bahia, Aguirre cabeceou e Ronaldo encaixou; Nestor cobrou falta de curva por cima; Mendoza cruzou, Ronaldo segurou; lançamento de Juba para Admir na velocidade e ele por pouco não desvia o gol (goleiro abafou); Marcos Victor cruzou, Alejo desviou fraco para o goleiro pegar; Leozinho recebeu na direita, fechou para o meio e chutou. Ronaldo defendeu.

9 - O EQUILÍBRIO QUE TERMINOU NO PÊNALTI

O equilíbrio entre os dois times continuou no segundo tempo. Mas o rubro-negro começou melhor com as mudanças que fez. Na primeira investida, pela esquerda, o atacante fechou para o meio e a bola foi chutada para Ronaldo defender; num cruzamento de Vargas, Rivaldo antecipa a Kanu, desvia e faz 2 a 1, aos 23 minutos; descida rápida do time do Paraná, Dudu chutou pra fora; Gilberto Santos tentou cruzar e quase marca (Ronaldo defendeu); Juba chutou da entrada da área, no ângulo, mas Mikael faz defesaça; bola na área, Everaldo chutou e Jader desviou o braço: pênalti, que o próprio Everaldo bateu e o goleiro defendeu. Ele poderia completar o rebote do goleiro mas furou. Ridículo, Everaldo!

10 - PARADA

Geralmente uma pausa longa no campeonato prejudica o time que está vivendo um bom momento e isso, apesar desta derrota, vem acontecendo com o Bahia. O time vem bem e, após a data-Fifa, enfrentará o Palmeiras fora de casa. Parada indigesta, mas um triunfo pode colocar o Bahia de novo na boa rota que vem trilhando nesse momento da competição. É difícil bater no Verdão fora de casa, mas não é impossível.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Bahia sai de Curitiba com a sensação de que deixou escapar uma oportunidade em um campeonato no qual cada ponto começa a ganhar peso ainda maior. A derrota não veio de uma atuação em que o adversário tenha controlado completamente a partida, mas de um confronto decidido por pequenos detalhes — justamente aqueles que costumam separar um resultado positivo de uma noite frustrante.

Agora, o calendário oferece uma pausa antes de um compromisso de enorme dificuldade. O desafio contra o Palmeiras, fora de casa, será a primeira oportunidade para o Esquadrão transformar a frustração em resposta. Até lá, fica a conta de um jogo em que um ponto parecia ao alcance e acabou escapando nos últimos instantes.

FICHA TÉCNICA

Competição: 28ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Arena da Baixada, em Curitiba (PR)
Árbitro: Anderson Daronco
Assistentes: Rafael da Silva Alves e Tiago Augusto Kappes Diel
VAR: Marcio Henrique de Gois
Cartões amarelos: Aguirre (ATH), Arthur Dias (ATH), Rivaldo (ATH), Acevedo (BAH), Furquim (BAH)
Cartões vermelhos: Odair Hellmann (ATH)
Gols: Esquivel, aos 16 minutos do primeiro tempo; Pulga, aos 26 minutos do primeiro tempo; Rivaldo, aos 23 minutos do segundo tempo

ATHLETICO: Mycael; Dantas, Aguirre (Dudu) e Arthur Dias; Gilberto (Gilberto Santos), Jádson, Luiz Gustavo e Lucas Esquivel; Leozinho (Rivaldo), Mendonza e Kerwin Vargas (Bruno Zapelli). Técnico: Odair Hellmann.

BAHIA: Ronaldo; Marcos Victor, David Duarte, Kanu e Luciano Juba; Acevedo (Caio Alexandre), Erick (Jean Lucas) e Rodrigo Nestor (Everton Ribeiro); Ademir (Furquim), Erick Pulga e Alejo Véliz (Everaldo). Técnico: Rogério Ceni.
*Kléber Leal, especial para o Blog Ponto da Notícia
Jornalista e torcedor do Bahia

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