terça-feira, 15 de setembro de 2026

Bahia 2x1 Remo: dez observações de um triunfo que valeu muito

Bahia 2x1 Remo: dez observações de um triunfo que valeu muito

Havia uma conta aberta entre Bahia e Remo. Três derrotas no mesmo ano, uma eliminação dolorosa na Copa do Brasil e a sensação de que o time paraense tinha encontrado uma maneira de incomodar o Esquadrão sempre que os dois se encontravam. No fechamento da 27ª rodada do Campeonato Brasileiro - realizada na Fonte Nova, em Salvador -, porém, a história finalmente mudou. O Tricolor venceu por 2 a 1, encerrou a sequência negativa diante do adversário e transformou a noite em mais um passo importante na campanha.

O triunfo teve peso também na tabela. Com quarto vitórias consecutivas, 11 jogos de invencibilidade e 46 pontos conquistados, o Bahia entrou no G-4 e passou a mirar uma posição ainda mais alta na classificação. O que antes parecia uma perseguição por pontos para garantir a permanência na Série A já ficou definitivamente para trás.

A análise do jornalista e colaborador do Blog Ponto da Notícia, Kléber Leal, vai além do placar apertado e encontra no jogo algumas histórias que merecem ser observadas com atenção. O crescimento de Kike Olivera, a fase de Acevedo, o desperdício de oportunidades, a força da torcida e a transformação do Bahia nos últimos anos aparecem entre os destaques. E há uma revanche que, para o torcedor, certamente tornou a noite ainda mais saborosa. Confira abaixo!

DEZ OBSERVAÇÕES SOBRE BAHIA 2x1 REMO

1 - ACABOU A FARRA DO REMO

Num jogo que estava “fácil”, mas acabou sendo meio complicado pelos gols perdidos pelo Tricolor, o Bahia finalmente venceu o Remo, após três derrotas no ano (inclusive com eliminação da Copa do Brasil). Este importante triunfo, que acabou com a farra remista contra a gente, fez o Bahia entrar no G-4, ampliar para 11 os jogos invictos no Brasileirão e confirmar a ótima fase, com quatro triunfos seguidos.

2 - A VINGANÇA NO FUTEBOL

No relacionamento interpessoal, a vingança é um sentimento abominável, mas no futebol é uma das coisas mais gostosas para quem consegue dar o troco no adversário. O Remo aprontou contra a gente este ano, mas agora, mesmo com o placar “apertado”, o Bahia afundou mais ainda o time paraense na zona de rebaixamento. Não foi à toa que a Nação Tricolor cantou no final: “Arerê, o Remo vai jogar a Série B”.

3 - CHANCES DEMAIS DESPERDIÇADAS

É irritante a quantidade de chances de gol que o Bahia desperdiça. Em alguns jogos, como esse contra o Remo e o próprio clássico contra o time de Canabrava, poderíamos obter o triunfo maior e de uma forma bem mais tranquila, mas a falta de capricho nas finalizações impediu esse sossego. Parece até que o Bahia só quer ganhar as partidas “com emoção”, deixando o torcedor tenso e agoniado.

4 - ESTREIA DO NOVO UNIFORME E CASA CHEIA

O Bahia estreou o uniforme número 3, uma linda padronagem azul-marinho com detalhes em dourado, homenageando os povos indígenas. Por sinal, os mascotes tricolores entraram caracterizados de índio. E a torcida? Quase 35 mil pessoas numa segunda à noite. Mais uma vez a Nação Tricolor dando show.

5 - KIKE OLIVERA EM ALTA

Kike Olivera, sem dúvida, fez a melhor partida dele com a camisa do Bahia, sendo o Craque do Jogo. Participativo, deu assistência para um dos gols e criou várias boas jogadas que foram desperdiçadas pelos companheiros. Temos que dar mérito a Rogério Ceni, pois Kike, que ele ousou em recolocar no time desde o clássico Ba-Vi, vem jogo a jogo subindo de produção, sendo muito importante no atual sistema tático do Bahia.

6 - ACEVEDO, O MAESTRO

Outro que vem mantendo a boa fase é Nicolas Acevedo, nosso atual maestro e que foi homenageado pela torcida com bandeira e música. Marcos Victor foi bem, Kanu, substituindo Ramos Mingo, fez um partidaço, David Duarte bem também. Pulga e Alejo deram muito trabalho, mas precisam ter mais calma na hora da finalização para não perder tantos gols; Jean Lucas muito bem, assim como Juba. Dos que entraram, Everton Ribeiro parece ainda fora de sintonia, Caio Alexandre e Ademir melhoraram em relação a jogos anteriores.

7 - O BAHIA MUDOU DE PATAMAR

Com a chegada do Grupo City, após um primeiro ano ruim, em que o time escapou do rebaixamento na última rodada, o Bahia, nos últimos 3 anos, vem figurando sempre entre os 8 primeiros do Brasileirão, brigando por vaga na Pré ou fase de grupos da Libertadores. Aquela luta desesperada para chegar ao número mágico de 45 pontos (que garante a permanência na Série A) não nos pertence mais, pois alcançamos este patamar com muita naturalidade e procuramos algo mais. No momento estamos com 46 pontos e ainda temos 11 rodadas para pontuar mais.


8 - REMO RESISTE, MAS BAHIA DOMINA

O Remo, no primeiro tempo, adotou a postura de marcar forte a partir do meio-campo e tentar contragolpear. O Bahia ficou rolando a bola de um lado a outro, tentando abrir espaço. Nestor recebeu em profundidade e cruzou com perigo, mas a defesa rebateu; numa infiltração pelo meio, Nestor chutou fraco da entrada da área e Marcelo Rangel encaixou; contra-ataque rápido, Jean Lucas lançou Pulga, que tropeçou e chutou mal; Kike Olivera roubou a bola de Tchamba, avançou e rolou para Jean Lucas dominar e chutar para marcar o primeiro gol, aos 19 minutos; após o gol, o Remo avançou mais suas linhas; Ronaldo fez uma grande defesa numa bola alçada na área, mas o lance tinha sido impedimento; Pulga avançou, rolou para Nestor soltar a bomba, mas o goleiro fez defesaça; falta cobrada por Nestor, o goleiro defendeu e, na sobra, outro chute para outra defesa; Kike fez grande jogada dentro da área e deu para Pulga desviar e acertar a trave; Kike faz outro salseiro na área e cruzou para Alejo Véliz, sozinho, cabecear para fora.

9 - SUFOCO NO FIM

O Bahia começou pressionando no segundo tempo. Kike recebeu dentro da área e cruzou para Pulga, livre, chutar para cima e perder o gol; Kike de novo recebeu na área e chutou forte para defesa do goleiro, que mandou a escanteio; Alejo invadiu a área e chutou para fora. E as chances perdidas iam se sucedendo; o Remo teve um chute de Zé Welison para longe; a partir dos 13 minutos, com algumas mudanças, o Remo passou a tentar nos agredir sem muito sucesso; Kike recebeu de Pulga na corrida, chutou rasteiro, mas o goleiro pegou; bola na área, gol de Kanu, mas ele estava impedido; Remo começou a se soltar e a partida ficou perigosa, pois os gols perdidos pelo Bahia começaram a fazer falta. Houve um chute perigosíssimo de Vitor Bueno do meio da rua que passou perto; contragolpe remista, Taliari girou e bateu para o gol, com boa defesa de Ronaldo; falta alçada na área do Bahia, Taliari desviou com perigo; Vitor Bueno chutou outra de longe, Ronaldo defendeu. Partida ficou perigosa; escanteio cobrado por Vitor Bueno, Ronaldo desviou para escanteio; após cobrança, cabeçada e passou pertinho. Momento de sufoco. Ademir foi no fundo e cruzou, Nestor desviou de cabeça para fora; Marlon pega uma sobra de cruzamento e chuta para fora; contra-ataque, Ademir lança Alejo, que sofre pênalti. Juba bateu e fez; na sequência, pênalti bobo de Éverton Ribeiro. Vitor Bueno converte.

10 - RUMO AO G-3

Domingo, teremos pela frente o Athlético do Paraná, que está em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, com o mesmo número de pontos que a gente, mas nos supera na quantidade de triunfos. Tomaremos o lugar dele na tabela, caso nosso time consiga vencê-lo na Arena da Baixada. Jogo difícil, em gramado sintético, mas não é impossível trazer os 3 pontos. Vamos pra cima, com toda humildade, dedicação, seriedade e vontade, para que possamos fazer um grande jogo e sair de lá comemorando um grande triunfo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Bahia deixou para trás uma noite que poderia ter sido muito mais tranquila, mas que terminou com um resultado de peso. A vitória sobre o Remo vale pelos três pontos, pela entrada no G-4 e pela sequência que o time vem construindo, mas também pela maneira como a equipe voltou a responder depois de um período em que cada partida parecia trazer uma nova cobrança.

Ainda há pontos a corrigir, principalmente diante das oportunidades desperdiçadas e da dificuldade de transformar domínio em vantagem confortável. Ao mesmo tempo, o Bahia chega à reta decisiva do campeonato com motivos concretos para acreditar em algo maior. O time mudou de patamar, ganhou alternativas e hoje disputa posições que, há poucos anos, pareciam distantes da realidade do clube.

O próximo desafio, contra o Athlético-PR, será justamente um teste para medir até onde essa evolução pode levar o Esquadrão. A diferença na tabela é mínima, o cenário será fora de casa e o gramado sintético acrescenta mais uma dificuldade. Se conseguir repetir a competitividade apresentada nas últimas rodadas e for mais eficiente diante do gol, o Bahia terá uma oportunidade real de transformar a boa fase em uma campanha ainda mais ambiciosa.

FICHA TÉCNICA

Campeonato Brasileiro - 27ª rodada
Data: 14 de setembro de 2026 (segunda-feira)
Horário: 20h (de Brasília)
Local: Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
Assistentes: Francisco Chaves Bezerra Júnior (PE) e Andrey Luiz de Freitas (PR)
VAR: Douglas Schwengber da Silva (RS)
Gols: Jean Lucas (19'/1ºT) e Luciano Juba (45'/2ºT) (BAH); Vitor Bueno (50'/2ºT) (REM)
Cartões amarelos: Acevedo e Kike Olivera (BAH); Matheus Felipe (REM)

Bahia: Ronaldo; Marcos Victor (Román Gómez), David Duarte, Kanu e Luciano Juba; Acevedo (Caio Alexandre), Jean Lucas (Éverton Ribeiro) e Rodrigo Nestor; Kike Olivera, Erick Pulga (Ademir) e Alejo Véliz (Everaldo). Técnico: Rogério Ceni.

Remo: Marcelo Rangel; Zé Ivaldo, Matheus Felipe, e Tchamba (Gabriel Taliari); Yago Pikachu, Picco (Zé Welison), Patrick, Zé Ricardo (Vitor Bueno) e Marlon; Galeano (Gabriel Poveda) e Jajá (Alef Manga). Técnico: Léo Condé.
*Kléber Leal, especial para o Blog Ponto da Notícia
Jornalista e torcedor do Bahia

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