segunda-feira, 22 de junho de 2026

Alimentação saudável: os riscos dos ultraprocessados

Alimentação saudável: os riscos dos ultraprocessados

Práticos, acessíveis e cada vez mais presentes na rotina dos brasileiros, os alimentos ultraprocessados ocupam espaço crescente nas refeições do dia a dia. Embora sejam vistos como alternativas rápidas para quem tem pouco tempo, especialistas alertam que o consumo frequente desses produtos pode trazer consequências à saúde.

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Ricos em sódio, açúcar, gorduras e aditivos químicos, os ultraprocessados estão associados ao aumento do risco de diversas doenças crônicas e têm sido alvo de estudos que investigam seus impactos na qualidade de vida da população. 

Diante desse cenário, entender como identificar esses produtos e fazer escolhas mais equilibradas tornou-se um passo importante para quem busca uma alimentação mais saudável.

O que são alimentos ultraprocessados

Os alimentos ultraprocessados são produtos que passam por diversas etapas industriais e recebem ingredientes adicionados para aumentar a durabilidade, melhorar o sabor, modificar a textura ou tornar o consumo mais atrativo.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), fazem parte desse grupo produtos como salgadinhos de pacote, refrigerantes, bebidas adoçadas com açúcar ou adoçantes artificiais, cereais matinais industrializados, carnes processadas, biscoitos recheados, achocolatados e diversos outros itens encontrados facilmente nos supermercados.

Ao contrário dos alimentos in natura ou minimamente processados, esses produtos costumam apresentar uma composição mais distante dos ingredientes originais e uma maior quantidade de substâncias adicionadas durante a fabricação.

Por que os ultraprocessados preocupam

A professora do curso de nutrição da Universidade Salvador (Unifacs), Lídia Moura, explica que o consumo excessivo de ultraprocessados pode aumentar as chances de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, especialmente entre os mais jovens.

Entre os principais problemas associados ao consumo frequente desses produtos estão:

- Doenças cardiovasculares;
- Diabetes;
- Obesidade;
- Hipertensão arterial;
- Alguns tipos de câncer.

Ainda conforme a especialista, os riscos estão relacionados à baixa qualidade nutricional desses alimentos, somada às elevadas quantidades de sódio, açúcar e gordura saturada.

Outro fator de atenção é a presença de aditivos alimentares utilizados para conservar, colorir, aromatizar ou modificar características dos produtos.

Alguns desses compostos já possuem estudos que apontam potenciais impactos negativos à saúde quando consumidos em excesso.

O que dizem os estudos

Os efeitos dos ultraprocessados também vêm sendo analisados por pesquisadores no Brasil e em outros países. 

Um estudo realizado por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidad de Santiago de Chile estimou que o consumo desses produtos esteja associado a aproximadamente 57 mil mortes prematuras por ano no Brasil entre pessoas de 30 e 69 anos.

Os pesquisadores destacam que a redução do consumo desses alimentos pode contribuir para a prevenção de doenças e para a melhoria dos indicadores de saúde da população.

Como identificar um alimento ultraprocessado

Nem sempre é fácil reconhecer um ultraprocessado apenas pela embalagem. Por isso, a leitura dos rótulos é uma ferramenta importante para o consumidor.

De acordo com Lídia Moura, é fundamental observar a lista de ingredientes e a tabela nutricional presentes nas embalagens.

Alguns sinais merecem atenção:

- Lista extensa de ingredientes;
- Presença de conservantes, corantes e aromatizantes;
- Elevadas quantidades de sódio;
- Altos teores de açúcar;
- Gorduras saturadas e gorduras trans.

Em muitos casos, quanto mais longa e complexa for a lista de ingredientes, maior tende a ser o nível de processamento do produto.

Atenção aos chamados “falsos saudáveis”

Outro ponto destacado pela nutricionista é a existência dos chamados produtos "falsamente saudáveis".

São alimentos que utilizam expressões como "fit", "light", "zero", "integral" ou outras mensagens publicitárias que podem transmitir uma imagem mais saudável do que realmente apresentam.

Mesmo quando possuem alguma característica positiva, muitos desses produtos continuam sendo ultraprocessados e podem conter quantidades elevadas de ingredientes que exigem atenção.

Por isso, especialistas recomendam não confiar apenas nas mensagens da embalagem e sempre analisar as informações nutricionais.

Como construir uma alimentação mais equilibrada

O Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados como base da alimentação.

Entre as orientações estão:

- Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base das refeições;
- Utilizar sal, açúcar, óleos e gorduras com moderação;
- Limitar o consumo de alimentos processados;
- Evitar o consumo frequente de ultraprocessados;
- Comer com regularidade e atenção;
- Dar preferência a refeições preparadas na hora;
- Desenvolver habilidades culinárias;
- Planejar melhor o tempo dedicado à alimentação;
- Buscar locais que ofereçam alimentos frescos;
- Ser crítico em relação às propagandas sobre alimentação.

Pequenas mudanças podem fazer diferença

Adotar uma alimentação saudável não significa eliminar todos os alimentos industrializados de uma vez, mas fazer escolhas mais conscientes no dia a dia.

Trocar refrigerantes por água, aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes, reduzir a frequência de produtos ultraprocessados e valorizar refeições preparadas com ingredientes naturais são medidas que podem trazer benefícios importantes a longo prazo.

Especialistas destacam que a qualidade da alimentação está diretamente relacionada à prevenção de doenças e à promoção da saúde, tornando as escolhas feitas hoje um investimento para o futuro.

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