Entre decisões polêmicas da arbitragem, duas formações diferentes em cada tempo, estreias de reforços e atuações individuais, o confronto ofereceu elementos para avaliar o estágio do Tricolor baiano antes do retorno das competições oficiais.
Abaixo, confira as 10 observações apontadas pelo jornalista e colaborador do Blog Ponto da Notícia, Kleber Leal, sobre o teste e o que a atuação pode indicar para a sequência da temporada.
Análise Fluminense 2x0 Bahia:
⚽ 1. Arbitragem desastrosa
Se, com VAR e tudo, o Bahia quase sempre é prejudicado em jogos oficiais, imaginem em jogo amistoso, como esse contra o Fluminense, sem VAR. A arbitragem, do próprio Rio de Janeiro, foi tenebrosa, pois deixou de marcar um pênalti claro a nosso favor e anulou um gol não se sabe ainda por quê, tudo isso no primeiro tempo, quando a partida estava 0x0. No segundo tempo, deu um pênalti altamente questionável a favor do Fluminense, que na cobrança fez 1 a 0, sem contar que permitiu reclamações exacerbadas de atletas do time carioca (como Hulk e Samuel Xavier), sem sequer advertir. Uma lástima.
⚽ 2. Pouca evolução após o recesso
Lógico que o juizão não foi o único responsável por esta derrota. O time praticamente não mostrou evolução, apesar do período em que ficou apenas treinando, sem jogar. Entrou com uma escalação no primeiro tempo, que até teve desempenho razoável, e com outra no segundo tempo, que fez o time cair de produção e perder. O time 1 foi de Ronaldo, Marcos Victor, David Duarte, Mingo e Zé Guilherme; Acevedo, Erik, Rodrigo Nestor e Pulga; Ademir e William José; o time 2 foi de Guido Herrera, Román Gomez, Fredi, Kanu e Luiz Gustavo (David Martins); Caio Alexandre, Jean Lucas, Michel Araújo e Everaldo (Ruan Pablo); Sanabria e Alejo Veliz.
⚽ 3. Primeiro time foi superior
O time da escalação inicial mostrou mais vontade e um poder de marcação mais forte, tanto que o Tricolor das Laranjeiras praticamente não criou nada nessa etapa da partida. Marcos Victor, David Duarte, Mingo, Acevedo e Erik fizeram bom jogo, marcando bem, embora sem conseguir articular tanta jogada ofensiva, função cumprida de forma discreta por Nestor. O lateral Zé Guilherme foi muito bem também. Dos que entraram no segundo tempo, atuações horrorosas de Luíz Gustavo, Kanu, Caio Alexandre e Jean Lucas, que afrouxaram a marcação, deixando uma avenida no nosso corredor central, onde o Fluminense deitou e rolou.
⚽ 4. Uma dupla que ainda não funciona
A cada dia chega-se à conclusão de que Caio Alexandre e Jean Lucas não podem atuar juntos no Bahia porque o primeiro não marca e o segundo, apesar de ter senso de marcação, não tem feito bons jogos. Aliás, desde que foi convocado para a Seleção Brasileira, nunca mais repetiu as boas performances que já teve pelo Esquadrão. Com esses dois em campo nosso poder de marcação some.
⚽ 5. Luís Gustavo segue devendo
Esse zagueiro Luís Gustavo, comprado por 30 milhões de reais ao Vasco, até agora não disse pra que veio. Toda vez que entra não consegue render, comete falhas, não ajuda em nada. A imprudência na hora de fazer o corte na área que gerou o lance que o juiz deu pênalti para o Flu expressa o quanto ele é atabalhoado. Esse rapaz não consegue jogar bem nem no sub-20.
⚽ 6. Critério nas contratações
O critério de contratação do Grupo City precisa ser melhor avaliado para evitar que se gaste tanto por jogadores que não valem essas cifras. É preciso que se garimpe melhor as escolhas.
O critério de contratação do Grupo City precisa ser melhor avaliado para evitar que se gaste tanto por jogadores que não valem essas cifras. É preciso que se garimpe melhor as escolhas.
⚽ 7. Estreias sem tempo para avaliação
Esta partida marcou a estreia dos argentinos Guido Herrera (goleiro) e Alejo Veliz (atacante), que não tiveram condições de mostrar nada pois entraram justamente quando o time caiu de produção no segundo tempo.
⚽ 8. O retrato do primeiro tempo
Bahia e Flu fizeram um primeiro tempo morno, num jogo típico de reinício de temporada. Esquadrão mostrou uma boa consistência defensiva, mas na criação não estava tão bem. Ainda assim, deu o primeiro chute, com Rodrigo Nestor, com menos de um minuto, que o goleiro Fábio defendeu; num erro de William José, o time carioca armou um contra-ataque e a coisa quase complica; depois Ademir recebeu bem na direita e rolou para Acevedo, mas o chute do uruguaio foi na lua; Savarino lançou John Kennedy na corrida, mas Ronaldo saiu e abafou; depois Ademir recebeu, invadiu a área e foi empurrado (pênalti), mas a arbitragem mandou seguir; na sequência, quase sem querer, Pulga quase faz de cabeça; o mesmo Pulga quase marca quando Fábio tentou dominar com os pés e deu mole; o Bahia fez um gol, após confusão na área, mas o árbitro marcou uma inexplicável infração, anulando; no fim dessa etapa, ainda tivemos uma falta na frente da área que Nestor cobrou e Fábio fez boa intervenção.
⚽ 9. Queda de rendimento na etapa final
No segundo tempo, com uma marcação frouxa, o Bahia permitiu alguns ataques do Fluminense. Em duas bolas em profundidade nas costas da nossa zaga tomamos dois gols. O primeiro num pênalti mandrake cometido por Luís Gustavo e, no outro, no cruzamento em que Kano completou do meio da área. Não esboçamos reação até porque Sanabria também não esteve bem, assim como Everaldo. Aliás, priorizar a entrada de Everaldo e deixar atletas como Ruan Pablo no banco e só colocar pra jogar poucos minutos é uma doideira. Nossa base precisa ter mais oportunidade. Chega de continuar dando chances a quem já foi testado e reprovado.
⚽ 10. Agora é pra valer
Sexta-feira o Bahia volta a campo, desta vez valendo três pontos, pelo Brasileirão, quando enfrentará a Chapecoense na Arena Fonte Nova. Tomara que Rogério Ceni entenda que o time do primeiro tempo é melhor, tem mais poder de marcação pelo menos, e uma outra esperança é que garotos da base possam ter oportunidades e nos ajudar.
Considerações finais
O amistoso não valeu pontos, mas deixou lições importantes para o Bahia antes da retomada da temporada. A equipe apresentou momentos de competitividade, principalmente na primeira etapa, mas também evidenciou dificuldades que precisarão ser corrigidas para a sequência do Brasileirão.
Agora, o período de preparação ficou para trás. A partir da próxima semana, cada atuação terá peso na tabela e exigirá respostas dentro de campo. O desafio de Rogério Ceni será transformar os ajustes feitos durante a pausa em uma equipe mais consistente quando a competição recomeçar.
Ficha técnica
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data/Hora: 12/07/2026, às 16h (de Brasília)]
Público e renda: 16.214 pessoas e R$ 345 mil
Árbitro: Jodis Nascimento de Souza (RJ)
Assistentes: Thiago Filemon Soares (RJ) e Naiara Tavares (RJ)
Cartão amarelo: Erick (Bahia), Rodrigo Nestor (Bahia), Willian José (Bahia), Kanu (Bahia) e Luiz Gustavo (Bahia); Millán (Fluminense)
Cartão vermelho: Charles Hembert (auxiliar do Bahia)
Gols: Hulk (FLU - 21 do 2ºT) e Cano (FLU - 39 do 2ºT)
Fluminense: Fábio; Guga (Samuel Xavier), Jemmes (Ignácio), Millán (Freytes) e Renê; Hércules (Nonato), Martinelli (Otávio) e Lucho Acosta (Riquelme Felipe) (Cano); Serna (Rodrigo Castillo), Savarino (Soteldo) e John Kennedy (Hulk).
Técnico: Luis Zubeldía.
Bahia: Ronaldo (Guido Herrera); Marcos Victor (Román Gómez), David Duarte (Fredi Lippert), Santiago Mingo (Kanu) e Zé Guilherme (Luiz Gustavo) (David Martins); Acevedo (Caio Alexandre), Erick (Michel Araújo), Rodrigo Nestor (Jean Lucas); Ademir (Sanabria), Erick Pulga (Everaldo) (Ruan Pablo) e Willian José (Alejo Véliz).
Técnico: Rogério Ceni.


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