A busca por ganho rápido de massa muscular e resultados estéticos imediatos tem levado cada vez mais pessoas ao uso de anabolizantes. O que muitos não percebem é que os efeitos dessas substâncias podem ir muito além da aparência física. Pesquisas recentes apontam que o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes está associado a alterações importantes no colesterol, no metabolismo e na saúde cardiovascular, aumentando o risco de problemas graves mesmo entre jovens aparentemente saudáveis.
O tema ganha ainda mais relevância no Dia Mundial de Combate ao Colesterol, lembrado em 8 de agosto, data que reforça a importância da prevenção de doenças cardiovasculares, responsáveis por milhões de mortes todos os anos em todo o mundo.
O impacto dos anabolizantes no colesterol
Os anabolizantes são substâncias derivadas da testosterona, hormônio sexual masculino. Embora sejam conhecidos principalmente pelo efeito de aumento da massa muscular, especialistas alertam que seu uso pode provocar mudanças significativas no organismo.
Entre os efeitos mais preocupantes está a alteração dos níveis de colesterol. As substâncias tendem a reduzir o HDL, conhecido como colesterol bom, e elevar o LDL, chamado de colesterol ruim. Esse desequilíbrio favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e pode comprometer a saúde mesmo em pessoas que aparentam estar em boa forma física.
Além disso, o uso frequente está relacionado à resistência à insulina e ao acúmulo de gordura visceral, fatores que contribuem para o desenvolvimento da chamada síndrome metabólica.
Estudos acendem sinal de alerta
Um estudo publicado na revista científica Sports Medicine Open avaliou os efeitos metabólicos do uso de esteroides anabolizantes, insulina e hormônio do crescimento entre fisiculturistas amadores.
A pesquisa analisou 92 praticantes de musculação e identificou alta prevalência do uso combinado dessas substâncias. Entre os usuários, foram observadas alterações importantes no perfil lipídico e hepático, incluindo redução significativa do colesterol HDL, aumento das enzimas hepáticas ALT e AST e alterações em marcadores relacionados ao metabolismo de ácidos graxos.
Os resultados sugerem que o risco cardiovascular pode aumentar mesmo em indivíduos jovens e sem histórico prévio de doenças.
Síndrome metabólica aumenta risco de infarto e AVC
Outro levantamento, publicado na revista Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders, revisou evidências sobre os efeitos crônicos dos esteroides anabolizantes na saúde metabólica e cardiovascular.
A análise apontou que o uso prolongado está associado à redução do colesterol bom, aumento do colesterol ruim, resistência à insulina e maior acúmulo de gordura abdominal.
O conjunto desses fatores caracteriza a síndrome metabólica, condição que aumenta significativamente as chances de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O estudo também observou que algumas alterações hormonais e inflamatórias podem persistir mesmo após a interrupção do uso das substâncias.
Casos preocupam entre frequentadores de academias
Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) indicam que cerca de 6,4% dos homens já utilizaram anabolizantes em algum momento da vida. Entre frequentadores de academias, esse percentual pode ser ainda maior.
Outro ponto de preocupação é que, em muitos casos, os usuários não utilizam apenas esteroides anabolizantes. A combinação com insulina e hormônio do crescimento potencializa os efeitos adversos e amplia os riscos à saúde.
Há registros de infartos precoces em pessoas com menos de 40 anos, sem histórico familiar de doenças cardíacas, mas que faziam uso frequente dessas substâncias.
O que diz a medicina sobre o uso estético
Em 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo, tanto para atletas amadores quanto profissionais.
A decisão foi baseada na ausência de comprovação científica suficiente sobre benefícios e segurança do uso dessas substâncias para essas finalidades.
Segundo o conselho, não existem estudos clínicos robustos que demonstrem segurança para o uso de hormônios em níveis acima dos fisiológicos, tanto em homens quanto em mulheres.
Efeitos podem atingir diversos órgãos
Os riscos associados ao uso de anabolizantes não se limitam ao coração. Entre os efeitos adversos observados estão:
- Hipertrofia cardíaca;
- Hipertensão arterial;
- Infarto agudo do miocárdio;
- Aterosclerose;
- Formação de trombos;
- Vasoespasmos;
- Hepatite medicamentosa;
- Insuficiência hepática aguda;
- Câncer de fígado;
- Depressão;
- Dependência química;
- Infertilidade;
- Disfunção erétil;
- Redução da libido.
Sinais de alerta que podem indicar problemas causados pelos anabolizantes
Os efeitos dos anabolizantes nem sempre aparecem de forma imediata. Em muitos casos, o organismo começa a dar sinais de que algo não está funcionando adequadamente.
Entre os sintomas que merecem atenção estão:
- Falta de ar durante esforços leves;
- Dor ou aperto no peito;
- Aumento da pressão arterial;
- Palpitações e alterações nos batimentos cardíacos;
- Cansaço excessivo sem causa aparente;
- Inchaço nas pernas e nos pés;
- Mudanças bruscas de humor, irritabilidade e agressividade;
- Queda da libido e alterações na função sexual;
- Surgimento de acne intensa;
- Aumento do fígado ou dores abdominais persistentes;
- Ganho de peso associado à retenção de líquidos;
- Dificuldade para interromper o uso das substâncias.
Especialistas alertam que muitos desses sintomas podem surgir ainda em pessoas jovens e sem histórico de doenças cardiovasculares.
- Dor ou aperto no peito;
- Aumento da pressão arterial;
- Palpitações e alterações nos batimentos cardíacos;
- Cansaço excessivo sem causa aparente;
- Inchaço nas pernas e nos pés;
- Mudanças bruscas de humor, irritabilidade e agressividade;
- Queda da libido e alterações na função sexual;
- Surgimento de acne intensa;
- Aumento do fígado ou dores abdominais persistentes;
- Ganho de peso associado à retenção de líquidos;
- Dificuldade para interromper o uso das substâncias.
Especialistas alertam que muitos desses sintomas podem surgir ainda em pessoas jovens e sem histórico de doenças cardiovasculares.
Por isso, qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional de saúde, especialmente em indivíduos que fazem ou já fizeram uso de anabolizantes.
Informação e acompanhamento médico fazem diferença
Especialistas reforçam que qualquer intervenção capaz de alterar o metabolismo deve ser realizada apenas com orientação médica e acompanhamento adequado.
Em um cenário marcado pela busca por resultados rápidos e padrões estéticos cada vez mais exigentes, a informação continua sendo uma das principais ferramentas para evitar riscos silenciosos que podem comprometer a saúde a longo prazo.
Especialistas reforçam que qualquer intervenção capaz de alterar o metabolismo deve ser realizada apenas com orientação médica e acompanhamento adequado.
Em um cenário marcado pela busca por resultados rápidos e padrões estéticos cada vez mais exigentes, a informação continua sendo uma das principais ferramentas para evitar riscos silenciosos que podem comprometer a saúde a longo prazo.

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