terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Tempestades e raios: o que fazer para não virar alvo da descarga elétrica

Tempestades e raios: o que fazer para não virar alvo da descarga elétrica
Foto: Reprodução 

Um simples trovão pode ser o sinal de que é hora de deixar a praia, interromper uma caminhada ou procurar abrigo imediatamente. Em um país que registra mais de 70 milhões de raios por ano, ignorar os primeiros sinais de uma tempestade pode colocar vidas em risco.

O alerta voltou a ganhar força após uma tragédia registrada no litoral de São Paulo. No dia 20 de janeiro, oito pessoas foram atingidas por uma descarga elétrica na praia da Vila Caiçara, em Praia Grande. As vítimas foram socorridas, mas uma mulher de 60 anos morreu. As demais sofreram ferimentos leves e receberam atendimento médico.

A tragédia também serve de alerta para um comportamento comum em todo o país: permanecer ao ar livre mesmo após os primeiros sinais de chuva e trovões. Em um cenário de tempestade, atitudes aparentemente inofensivas, como ficar na areia da praia, buscar abrigo sob uma árvore ou continuar praticando esportes, podem aumentar significativamente o risco de ser atingido por uma descarga elétrica.

Especialistas do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), reforçam que conhecer os locais seguros e evitar comportamentos de risco pode fazer toda a diferença durante uma tempestade.

O que fazer ao ouvir trovões

Muita gente espera a chuva começar para procurar abrigo. O problema é que o perigo pode surgir antes mesmo das primeiras gotas caírem.

Ao ouvir trovões ou perceber relâmpagos no horizonte, a recomendação é abandonar imediatamente áreas abertas e buscar proteção em um local seguro. Campos de futebol, estacionamentos, praias, piscinas e espaços descampados estão entre os ambientes mais perigosos durante uma tempestade.

Os especialistas alertam que um raio pode atingir locais afastados da área onde a chuva está caindo, o que torna arriscado permanecer ao ar livre mesmo quando o temporal parece distante.

Por que a praia é um local perigoso

As praias estão entre os ambientes que exigem maior atenção quando há risco de raios. O Elat recomenda sair imediatamente da água e evitar caminhar pela faixa de areia ao perceber sinais de tempestade. Também não é seguro permanecer sob guarda-sóis, tendas ou quiosques.

Por serem áreas abertas e sem proteção adequada, as praias aumentam a exposição às descargas elétricas atmosféricas. O mesmo cuidado vale para piscinas, rios, lagos e qualquer ambiente aquático.

Locais seguros durante uma tempestade

- Quando os trovões começam a ser ouvidos, a prioridade deve ser encontrar um abrigo adequado.
- Entre os locais considerados mais seguros estão:
- Veículos fechados, com portas e vidros fechados;
- Casas, apartamentos e edifícios;
- Estruturas subterrâneas, como túneis e estações de metrô.

Mesmo nesses locais, a recomendação é manter distância de instalações elétricas, redes telefônicas, encanamentos, portas metálicas e janelas.

Também é importante desligar aparelhos eletrônicos das tomadas e evitar o uso de equipamentos conectados à rede elétrica.

Se não houver abrigo, siga estas orientações

Nem sempre existe um local seguro por perto. Nessas situações, a orientação é afastar-se de árvores isoladas, postes, antenas, caixas d'água e qualquer objeto metálico exposto.

Especialistas recomendam manter os pés juntos e permanecer agachado até a tempestade passar. Uma regra importante é não se deitar no chão. Essa posição aumenta a área de contato com o solo e pode elevar o risco de lesões caso uma descarga elétrica atinja as proximidades.

Erros que você não deve cometer

Durante tempestades, alguns comportamentos aumentam significativamente o risco de acidentes.

O Elat orienta evitar:

- Continuar jogando futebol ou praticando esportes ao ar livre;
- Caminhar em áreas descampadas;
- Subir em telhados, terraços e montanhas;
- Permanecer próximo a árvores, postes e antenas;
- Pescar;
- Ficar perto de embarcações atracadas;
- Soltar pipas;
- Carregar objetos metálicos longos, como canos e varas;
- Andar de bicicleta, motocicleta ou cavalo.

Dentro de casa, também é recomendado evitar:

- Tomar banho em chuveiro elétrico;
- Utilizar telefone com fio;
- Usar aparelhos conectados ao carregador;
- Permanecer próximo a tomadas;
- Ficar perto de janelas metálicas e encanamentos.

Brasil lidera ranking mundial de raios

O Brasil é o país com a maior incidência de raios do planeta. Todos os anos, mais de 70 milhões de descargas elétricas são registradas no território nacional. A localização geográfica e as condições climáticas favorecem a formação frequente de tempestades em diversas regiões do país.

A potência de um raio impressiona. Uma única descarga pode ultrapassar 30 mil ampères — cerca de mil vezes mais intensa do que a corrente elétrica de um chuveiro doméstico — e percorrer até cinco quilômetros de distância.

Estudos do Inpe apontam que esse cenário pode se intensificar nas próximas décadas. A projeção indica que o Brasil poderá alcançar cerca de 100 milhões de raios por ano entre 2081 e 2100, mantendo a liderança mundial nesse tipo de ocorrência.

Tempestades e raios: o que fazer para não virar alvo da descarga elétrica
Foto: Bruno Concha | Secom-PMS 

Salvador reforça alerta para banhistas

Em Salvador, a Coordenadoria de Salvamento Marítimo (Salvamar) orienta que a população evite o banho de mar durante períodos de chuva e tempestades.

Além do risco de descargas elétricas, as condições marítimas costumam ficar mais perigosas devido ao aumento dos ventos, das ondas e das correntes de retorno. As praias de Jaguaribe, Piatã e Itapuã estão entre as áreas que exigem atenção redobrada durante períodos chuvosos.

Outro alerta é sobre a combinação entre bebidas alcoólicas e banho de mar. O consumo de álcool pode provocar uma falsa sensação de segurança e reduzir a capacidade de reação diante de situações de perigo.

A recomendação também vale para famílias com crianças, que podem se afastar dos responsáveis rapidamente em ambientes movimentados.

Estrutura de salvamento atua em toda a orla

A Salvamar conta com 270 agentes distribuídos em 35 postos ao longo de 28 quilômetros de litoral, no trecho entre Jardim de Alah e Ipitanga.

A estrutura inclui motos aquáticas, botes, equipamentos de mergulho, pranchões e postos móveis que atuam diariamente na prevenção de acidentes e no atendimento de emergências.

Além dos resgates, os profissionais realizam ações educativas e orientações preventivas para moradores e turistas.

Em caso de emergência, o serviço pode ser acionado pelo telefone (71) 3202-4970. Nas demais praias fora da área de cobertura da Salvamar, o atendimento deve ser solicitado ao Grupamento Marítimo (Gmar), do Corpo de Bombeiros, pelo número 193.

Alguns minutos podem salvar uma vida

Especialistas são categóricos: ao ouvir trovões, a melhor decisão é procurar abrigo imediatamente. Em um país que lidera o ranking mundial de incidência de raios, a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar tragédias.

Saber onde se proteger e quais atitudes evitar pode fazer a diferença entre um susto e uma situação com consequências irreversíveis.

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