quinta-feira, 18 de maio de 2023

Pressão alta pode causar complicações graves

Pressão alta afeta milhões e pode causar complicações graves
Foto: Divulgação

Silenciosa e, na maioria das vezes, sem sintomas aparentes, a hipertensão arterial está entre as doenças mais comuns no Brasil e atinge milhões de pessoas. O problema é que muitos convivem com a chamada “pressão alta” sem saber, o que aumenta o risco de complicações graves como infarto, AVC e insuficiência renal.

O cardiologista Nivaldo Filgueiras, coordenador de Cardiologia do Hospital Mater Dei Salvador e do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana, destaca que o controle inadequado da pressão arterial está diretamente ligado ao desenvolvimento dessas complicações cardiovasculares, que seguem entre as principais causas de morte no país.

O que é hipertensão

A hipertensão arterial sistêmica é caracterizada pelo aumento sustentado da pressão do sangue nas artérias. Ela é diagnosticada quando os valores ficam acima de 140x90 mmHg, medição conhecida popularmente como 14 por 9.

O primeiro número representa a pressão sistólica, quando o coração se contrai. Já o segundo indica a pressão diastólica, quando o coração relaxa entre as batidas.

Esse equilíbrio é essencial para o funcionamento adequado do organismo, e alterações persistentes podem sobrecarregar órgãos vitais.

Por que a doença é silenciosa

Um dos principais desafios da hipertensão é o fato de que, na maioria dos casos, ela não apresenta sintomas evidentes. Quando aparecem, os sinais podem incluir dor de cabeça, tontura, falta de ar, visão embaçada e palpitações, mas nem sempre estão presentes.

Por isso, muitas pessoas só descobrem a condição durante exames de rotina ou após complicações mais graves.
Quem tem mais risco de desenvolver hipertensão

A doença pode ser classificada como primária, quando não há uma causa única definida, ou secundária, quando está associada a outras condições de saúde.

A forma primária é a mais comum e está relacionada a fatores genéticos e estilo de vida. Já a secundária pode estar ligada a doenças renais, alterações hormonais e problemas na tireoide ou nas glândulas suprarrenais.

Entre os principais fatores de risco estão:

- Histórico familiar de hipertensão;
- Sedentarismo;
- Obesidade;
- Consumo excessivo de sal;
- Tabagismo;
- Consumo abusivo de álcool;
- Estresse;
- Colesterol elevado;
- Diabetes.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 90% dos casos estão associados à predisposição genética, o que reforça a importância do acompanhamento preventivo, especialmente entre pessoas com histórico familiar.

Complicações da pressão alta não controlada

Quando não tratada corretamente, a hipertensão pode causar danos progressivos ao organismo.

Entre as principais complicações estão:Infarto agudo do miocárdio;

- Acidente vascular cerebral (AVC);
- Insuficiência cardíaca;
- Insuficiência renal;
- Lesões em órgãos vitais.

Essas condições estão entre as principais causas de morte no Brasil e podem ser evitadas com diagnóstico e controle adequados.

Diagnóstico e acompanhamento da pressão arterial

O diagnóstico da hipertensão é feito por meio da aferição da pressão arterial em diferentes momentos.

Quando os valores elevados são confirmados em pelo menos duas consultas consecutivas, ou quando exames como a monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) indicam alterações persistentes, a condição é diagnosticada.

Por isso, o acompanhamento regular é fundamental, especialmente para pessoas que fazem parte dos grupos de risco.

Como prevenir e controlar a hipertensão

Apesar de não ter cura na maioria dos casos, a hipertensão pode ser controlada com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida.

- As principais medidas incluem:Alimentação equilibrada;
- Redução do consumo de sal;
- Prática regular de atividade física;
- Controle do peso corporal;
- Redução do consumo de álcool;
- Abandono do tabagismo;
- Controle do estresse;
- Uso correto de medicamentos quando prescritos.

Segundo o cardiologista Nivaldo Filgueiras, o tratamento começa pelo acompanhamento regular da pressão arterial e, quando necessário, pelo uso de medicação associada às mudanças de hábitos.

Quando procurar um médico

A avaliação médica é recomendada especialmente para pessoas com histórico familiar da doença ou fatores de risco associados.

Além disso, qualquer alteração persistente na pressão arterial ou sintomas recorrentes devem ser investigados por um profissional de saúde.

O diagnóstico precoce é uma das principais formas de evitar complicações e garantir melhor qualidade de vida.

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